10 anos de Minimalismo

Conto a história de como comecei vezes sem conta, em cada workshop e palestra e não me canso de a cansar. É uma história que se vai repetindo na nossa vida em coisas diferentes. Há uma inquietação, uma vontade de mudar algo, mas às vezes não percebemos bem o que é.

Descobri o Minimalismo em 2011, numa altura em que me coloquei esta questão: “Será que a vida é só isto? (trabalho-casa-trabalho, uma relação estável e compras ao fim-de-semana). Tinha que haver algo mais! E sobretudo tinha que haver mais tempo. Sentia que os dias passavam a correr e se repetiam (acho que se fizesse o jogo “Descubra as diferenças” não descobriria nenhuma). 

Comecei por pensar que seria um problema de organização “Preciso de me organizar melhor”, afinal queria sobretudo ter mais tempo livre.

Li, pesquisei… E acabei com uma lista na mãe de coisas que ia comprar: caixas e caixinhas, prateleiras, etc.

Ia começar a organizar as coisas que estavam no topo dos armários na casa onde vivia. Tudo coisas que não usava… roupa e sapatos.

A par disto, continuei sempre a ler mais e mais sobre organização. Até que encontrei um blog americano sobre minimalismo (já não me lembro qual) que dizia qualquer coisa como “Não faz sentido comprarmos coisas para organizarmos coisas que não usamos, o que faz sentido é livrarmo-nos dessas coisas que não usamos”. Como é que eu nunca me tinha lembrado disso? E agora acrescento eu, como é que a solução para ter mais tempo passa por comprar mais coisas? Como é que a primeira coisa que me passou pela cabeça foi consumir? Era completamente viciada em compras, passava os fds num centro comercial.

Comecei então pela roupa e pelos sapatos, e perguntei junto de colegas, amigas e instituições quem estaria interessado naquilo que tinha para dar. E assim, aos poucos fui ficando com os armários vazios e fui preenchendo essas horas das idas às compras com tempo passado na natureza, a ler, enfim com novas paixões que fui descobrindo entretanto. Afinal é só quando eliminamos o velho, que criamos espaço para o novo, certo?

Nunca mais senti necessidade de ocupar esse espaço com idas aos centros comerciais!

Fiz também outra coisa muito importante: desinscrevi-me de todas as newsletters de lojas de roupa e de revistas de moda. E deixei de navegar nos sites dessas lojas

Longe da vista, longe do coração!

Procurei também muita informação sobre a indústria da moda e fiquei chocada. Vi o documentário “True cost” e chorei baba e ranho! 

Não voltei a ter desejos consumistas e nunca mais consegui olhar para as lojas da mesma maneira.

Passei da roupa dos sapatos para o resto da casa. Destralhei imensa coisa, sempre com o cuidado de dar a quem realmente quisesse aquilo que tinha. Vendi as coisas mais caras e ainda fiz algum dinheiro.

A seguir, vieram as relações, as pessoas, os eventos, os hobbies… foi como se tivesse passado a minha vida por um pente fino. Só poderia ficar aquilo que fazia mesmo sentido para mim.

A criação do blog deu-se 1 ano mais tarde, no final de 2012. Nesse ano em que descubro o minimalismo, escrevi no meu diário tudo aquilo que estava a sentir e com todas as transformações. Sentia-me mais feliz, com mais tempo e com mais qualidade de vida. O blog nasceu da vontade de partilhar tudo isso. Não se falava de minimalismo em 2012, en Portugal.

Desde então nunca mais deixei o minimalismo, embora não seja sempre igual, afinal a nossa vida vai passando por diferentes fases. Já vivi com muito pouco. Já tive uma casa sem sofá nem tv. Já quis viver numa autocaravana. Já vivi com muito mais coisas do que alguma vez poderia imaginar. Mas o foco é sempre o mesmo: o foco no essencial (para mim), aquilo que me acrescenta, mas que ao mesmo tempo traz leveza à minha vida

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    Aqui cabe tudo aquilo que nos leva em direcção a uma vida mais simples, sustentável e feliz: minimalismo, slow living, desperdício zero, hábitos saudáveis, yoga, meditação e muito mais.

    Ana Milhazes
    Autora • Socióloga • Coach • Activista • Instrutora de Yoga •
    Fundadora do Lixo Zero Portugal

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