Slow Working

Viver mais devagar não passa apenas pela nossa vida pessoal.
Não é apenas reduzir o consumo, passar menos tempo nas redes sociais e mais conectado com aquilo que verdadeiramente importa, não é apenas saborear a refeição sem nenhum outro estímulo, não é só estar verdadeiramente presente numa conversa e em qualquer outro lugar.
É também… trabalhar menos. Escrevo este post para mim, também. Preciso de me relembrar disto todos os dias! Se foi fácil chegar ao burnout e à depressão num trabalho com o qual não me identificava, com um trabalho que adoro é só virar a esquina… Tenho que ser polícia de mim própria diariamente!
Não me despedi do meu trabalho, para trabalhar as mesmas 8 ou 12h por dia mas agora num trabalho que adoro. Despedi-me porque quero viver de acordo com aquilo em que acredito e acima de tudo porque quero ter saúde, quero sentir-me bem. Não quero voltar a sentir que o trabalho me põe doente, que me afasta de quem gosto e que não me permite gerir o meu tempo como quero.
Vivemos numa sociedade demasiado acelerada. Afinal tudo está à distância de um clique. Não se pode demorar mais do que dois segundos a responder a uma sms. Temos logo que atender a chamada. Não podemos demorar mais do que um dia a responder a um e-mail.
Mesmo quando não temos ninguém a “mandar” em nós, há esta pressão (interna e externa) constante de estarmos em todo o lado, de estarmos sempre disponíveis. Pergunto-me: porque fazemos isto connosco e com os outros? Porque não relaxamos mais e damos o devido tempo às coisas?
Há coisas urgentes, mas não é dessas que falo. O que terá acontecido para que de repente tudo se tornasse urgente? Não temos paciência. Não sabemos esperar! Queremos tudo para ontem! Não conseguimos estar em filas… Se ligamos a alguém e essa pessoa não atende, deixamos mensagens em todas as redes sociais e ainda enviamos uma sms.
O telefone, o computador e as redes sociais são simplesmente ferramentas e não um fim em si. Não temos, por isso, que viver para elas. Temos que viver para nós, para os nossos e de acordo com aquilo em que acreditamos.
É esta regra que sigo no meu dia-a-dia. Deixo muitas vezes o telefone horas a fio sozinho, não lhe dou atenção. Não vejo o e-mail todos os dias, às vezes nem todas as semanas.
Por norma demoro a responder. Cuido dos e-mails tal como cuido de tudo o resto: slowly.
E vivo muito bem assim. Aliás muito melhor do que outrora. Pego no telefone ou acedo ao facebook quando tenho que o fazer e não há nenhum polícia que me esteja a dizer que tenho que estar a olhar para o telefone de minuto a minuto.
Há já alguns anos que desliguei praticamente todas as notificações do telefone. Tenho apenas para chamadas e sms. Portanto tudo o resto só aparece quando acedo à respectiva aplicação. Também uso o modo voo sempre que preciso de estar concentrada em determinada tarefa. Estas mudanças alteraram completamente e forma como olho para o telefone… Acabou-se a ansiedade, o querer responder a tudo e a vontade de não perder nenhum comentário ou notificação.
A vida acontece cá fora. E o grande problema é que todas estas tecnologias nos viciam sem darmos conta. Fazemo-lo de forma automática, perdemos o espírito crítico e o auto-controlo.
É tão importante termos o nosso tempo, desligarmo-nos do trabalho e desligarmo-nos de tudo o resto. É importante o silêncio. É importante o “não fazer nada”. É importante ouvir mais vezes a intuição. Esta voz que nos diz tantas vezes “não vás por aí” “não aceites” “espera”… Se estivermos ocupados com 1001 coisas ao mesmo tempo, não conseguimos ouvir simplesmente nada. Há demasiado ruído.
Quero continuar a viver de acordo com aquilo em que acredito, mesmo que isso passe por remar contra a maré e por ser incompreendida.

Sou feliz assim e acredito mesmo que a forma como trabalho (e não só o conteúdo daquilo que escrevo) também passa a mensagem de que temos todos que viver mais devagar. Cabe mesmo a cada um de nós mudar a forma como encaramos o nosso trabalho e o dos outros.

  • Bem-vindos ao Ana, Go Slowly!

    Aqui cabe tudo aquilo que nos leva em direcção a uma vida mais simples, sustentável e feliz: minimalismo, slow living, desperdício zero, hábitos saudáveis, yoga e meditação.

    Ana Milhazes, Socióloga, Formadora, Instrutora de Yoga, fundadora do Lixo Zero Portugal

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