Mais do que usarmos objectos sustentáveis é preciso reduzir o consumo. Colocar um travão neste consumo desenfreado que a nossa sociedade criou. Todos os dias surgem novas necessidades. Parece que precisamos de tudo para sermos felizes: o creme, o carro, o perfume, a casa, o smoothie verde e muito muito mais.

Hoje em dia com a consciência ambiental a crescer diariamente surgem também novos produtos. O que não é necessariamente mau. Há produtos que efectivamente precisamos de substituir. Então já que o temos que fazer, optemos por alternativas mais sustentáveis.

O grande problema é mesmo comprar por comprar. Porque mesmo comprando algo sustentável, ao comprarmos, estamos a exigir novos recursos, maior produção. Por sua vez, quando compramos algo, temos que pensar no tempo que gastamos a escolher esse novo produto, o tempo de manutenção (limpar, lavar, arrumar), tempo e dinheiro para consertar e no final da vida útil do produto saber como iremos descartar, ou mesmo se iremos vender ou dar. Tudo isto exige tempo.

Por isso acredito que uma vida mais simples com apenas o essencial nos permite ganhar imenso tempo. Traz-nos liberdade, paz de espírito e felicidade. E ainda ajuda o planeta, pois como todos sabemos os recursos são finitos, apesar de a nossa sociedade viver de forma exactamente contrária.

Muito antes de conhecer o estilo de vida zero waste (descobri-o em 2016), já seguia um estilo de vida minimalista, o que me permitiu reduzir imenso o lixo que produzia. Em 2011 senti uma enorme necessidade de destralhar e reduzir tudo o que tinha porque simplesmente não usava (tralhas, roupas, livros, objectos de decoração, utensílios de cozinha). Depois passei para os compromissos, pessoas tóxicas que já nada acrescentavam à minha vida, hobbies…

Neste processo reduzi o meu consumo em tudo! Descobri que poderia ser muito mais feliz com menos. Percebi que tudo o que tinha ou que queria comprar era usado para preencher um vazio, mesmo sem eu ter consciência disso. Simplificar a minha vida permitiu-me ter mais consciência, sair do piloto automático em que vivia e a partir daí passei a ter só e apenas aquilo que realmente queria ter. Deixei as imposições, as obrigações que só me faziam sentir mal. Sabem quando sentimos que estamos a fazer algo só porque sim ou porque toda a gente o faz? E porquê que temos essa consciência e continuamos a fazer? Não faz sentido! Se não temos essa consciência, trabalhemos para a ganhar. Se já a temos, então façamos algo para a mudar!

Podemos dar vários nomes semelhantes a este estilo de vida mais simples: downsizing/decrescimento, minimalismo, slow living. Há diferenças entre eles mas todos eles têm o mesmo propósito: dar mais sentido à nossa vida e simplificá-la.
A propósito deste tema, aqui fica o programa da Biosfera sobre descrescimento, onde fui uma das entrevistadas. Abri as portas da minha casa e falei um bocadinho sobre o que é viver de forma mais simples e sustentável.
Espero que gostem!

https://www.rtp.pt/play/p5373/biosfera