Já se fala em Desperdício zero na cidade do Porto

No sábado tive oportunidade de ser oradora num debate sobre Gestão de Resíduos, inserido no ciclo de debates “O direito à cidade” a propósito da revisão Plano Director do Porto. Os meus colegas de mesa foram: Elisabete Moura da Quercus (moderadora); Emanuel Monteiro (Lipor) e Madalena Alves (professora e investigadora da Universidade do Minho). A Carmen Lima da Quercus não pode estar presente, então gravou um vídeo que foi apresentado na sessão.

Estes debates foram organizados por várias instituições, entre elas a Associação AMO Portugal, a Quercus e a Ordem dos Arquitectos. 
Podem ver mais informação aqui.
Que bom que é saber que há preocupação em torno destes temas!
Apesar de ter sido bastante focado na gestão dos resíduos, ou seja, como lidar com os resíduos a partir do momento em que estes são produzidos, tentei dar a minha perspectiva alertando para a necessidade cada vez mais premente de reduzirmos esses resíduos. 
E assim aproveitei para falar nos importantíssimos 5 Rs:
  1. Recusar aquilo que não necessitamos
  2. Reduzir o que necessitamos
  3. Reutilizar aquilo que consumimos
  4. Reciclar aquilo que não conseguimos recusar, reduzir ou reutilizar
  5. Fazer compostagem (Rot)

Tentei dar bastante enfase ao primeiro, alertando para a necessidade de reflectirmos se algo é efectivamente necessário e não nos deixarmos levar pelas supostas necessidades criadas pela sociedade de consumo em que vivemos. A crise económica que se instalou em Portugal há uns anos deveria ter servido para percebermos que conseguimos perfeitamente viver com menos e aquilo que consideramos absolutamente essencial muitas vezes não o é.

No final, achei que seria interessante mostrar, de uma forma prática, como se poderia adoptar algumas estratégias desperdício zero no nosso dia-a-dia. Então levei um saco de compras em tecido (podem ver na foto lá em cima no chão, no lugar onde está a minha garrafa) com várias maravilhas lá dentro:
  • Um saco para o pão em tecido – é só levar à padaria e pedir para o funcionário colocar o pão naquele saco, em detrimento dos sacos em papel
  • Um kit que anda diariamente comigo constituído por: saco em tecido onde guardo todo o kit e que dá ao mesmo tempo para comprar algum produto a granel; Boc’n’Roll que é um individual que faz de saco/guardanapo e dá para comermos comida na rua por exemplo; frasco de vidro que dá para comprarmos algo a granel (como frutos secos) ou para comermos um gelado em vez de ser num copo de papel ou plástico; kit de talheres para substituir por exemplo a pequena colher de gelado em plástico e ainda um guardanapo de pano
  • A minha escova de dentes em bambu, que é biodegradável e que substitui a tradicional escova em plástico
  • Sacos em rede para fruta e vegetais que substituem os sacos de plásticos transparentes que somos obrigados a utilizar nos supermercados para cada tipo de fruta/vegetais
  • Vinagre, o grande aliado das limpezas, que dá para limpar a cozinha, WCs e também funciona como amaciador da roupa
  • Bicarbonato de sódio que serve para limpar, desinfectar e eliminar cheiros
No debate foram discutidas algumas medidas que poderiam ser implementadas para que houvesse uma maior adesão da população à reciclagem. Falou-se no sistema PAYT (Pay as you throw), que consiste na atribuição de incentivos a quem efectua a correcta separação do lixo. Apesar de concordar com esta medida, referi que deverão existir outras medidas, uma vez que quem segue um estilo de vida desperdício zero seria prejudicado e deveria ainda ser mais incentivado a manter este estilo de vida. Assim falou-se também na possibilidade de as compras a granel terem IVA reduzido, por exemplo. Também referi que a ofertas de descontos em supermercados para quem evita utilizar embalagens ou para quem efectua a correcta separação do lixo seria uma óptima medida.
Dei ainda a sugestão de haver mais bebedouros pela cidade, para que possamos beber água directamente ou encher as nossas garrafas reutilizáveis. Temos água de óptima qualidade no Porto e deveríamos começar a consumir mais e a deixar de utilizar as garrafas de plástico, que são extramente poluentes.
Espero sinceramente que tudo aquilo que foi falado inspire a Câmara Municipal do Porto (que também esteve presente), a adoptar algumas medidas na revisão do seu Plano Director Municipal.
Penso que poderia ter estado mais gente se o evento tivesse sido mais divulgado, mas também entendo que estes temas não são muito populares e só quem está verdadeiramente interessado é que dispensa uma tarde de sábado para participar neste tipo de eventos.
O debate foi gravado pela rádio Manobras que tem transmitido todos os debates. Quando a gravação estiver disponível publico aqui.
Foi extremamente gratificante para mim poder estar presente e falar de um tema que tanto me apaixona.
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    Ana Milhazes
    Autora • Socióloga • Coach • Activista • Instrutora de Yoga •
    Fundadora do Lixo Zero Portugal

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